Archive for the ‘Política’ Category

12 propostas para um bom Governador

05/05/2010

Como sonhar não custa nada e expressar os pensamentos livremente ainda não é crime, escrevo em algumas linhas 12 proposições que, caso eu fosse o Governador deste estado, procuraria implantar e desenvolver com todas as forças permitidas pela minha capacidade de trabalho.

Naturalmente que algumas destas propostas de “governo” são muito mais complexas e merecem uma abordagem com substância mais técnica, porém o texto ficaria muito extenso. Assim sendo, apresento este conjunto de “macro-ideias” de forma conceitual e que servem como base de um plano de governo para qualquer candidato.

Alguns ainda vão me perguntar por que apenas 12 propostas? Respondo: Para não ficar cansativo ler este blog e porque eu gosto do numero 12, acho meio místico.

1. Envidar todos os esforços possíveis, junto primeiramente a bancada de parlamentares federais da Amazônia, depois aos parlamentares de todo o país e ao Governo Federal, para que seja proposta uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que perenize o modelo de incentivos fiscais do Pólo Industrial de Manaus, estendendo-o para empreendimentos agroindustriais de produtos regionais que se instalassem nos municípios do interior da Amazônia, como exemplo para a descentralização de desenvolvimento econômico do país e a garantia da preservação da floresta amazônica.

2. Implantar Escolas de Tempo Integral para 100% da rede pública estadual de ensino em quatro anos, priorizando a construção destes centros nos bairros mais carentes de Manaus e em todas as cidades do interior, acrescentando infra-estruturas de saúde para as comunidades beneficiadas; criar paralelamente um programa de requalificação dos profissionais da educação; resgatar a dignidade salarial, fortalecendo os incentivos aos professores.

3. Criar Centros de Pesquisas avançados nos pólos da UEA nos municípios do interior, levando ainda os cursos de extensão universitária, pós-graduação e mestrado a todos os centros universitários nas cidades, ampliando para 40 municípios os cursos presenciais, aproveitando a infra-estrutura das Escolas de Tempo Integral, no período noturno;

4. Propor a criação do Aeroporto Industrial e Logístico na área atualmente usada como Base Aérea no aeroporto “Ponta Pelada”, como solução ao estrangulamento logístico aéreo dos terminais de carga do Eduardo Gomes (TECAs). O “novo” aeroporto industrial contaria com a estrutura de armazenagem, administrada e construída pela iniciativa privada, em galpões anexos ao pátio; De forma integrada ao terminal aeroportuário (no terreno da antiga Frigomasa) seria construído o novo Porto Industrial para atendimento do Pólo Industrial de Manaus, dando fim a um dos maiores gargalos da nossa infra-estrutura logística na capital.

5. Criar um agressivo programa de substituição da matriz energética no parque gerador de energia elétrica, especialmente nas cidades do interior por fonte renovável de energia limpa, excetuando os municípios que serão abastecidos pelo gasoduto Coari/Manaus e dos municípios que serão atendidos pelo “linhão” de Tucuruí, estimulando o plantio e exploração das fontes de biomassa (Capim Elefante, Embaúba, etc.) renovável nas áreas já degradadas de cada cidade.

6. Desenvolver programas de produção no setor primário, especialmente no interior do estado, direcionados a produção de produtos regionais, como o plantio e manejo da Embaúba (Biomassa energética), Andiroba, Açaí, Copaíba, Guaraná, etc.; Desenvolver o intercâmbio com países que dominam as culturas de várzeas para o aproveitamento do potencial ao longo do Rio Amazonas e Rio Solimões; O desenvolvimento da pesca e piscicultura dar-se-á pela implantação de balsas de produção de gelo, beneficiamento e conservação frigorífica nos municípios com vocação a este setor; Estímulo a agricultura familiar de subsistência e ao cinturão de Hortifrutigranjeiros na Região Metropolitana, viabilizando escoamento desta produção.

7. Aplicar um projeto de descentralização administrativa nos órgãos do Governo do estado, criando as “Administrações Regionais” nos municípios pólos – Parintins (baixo Amazonas), Manicoré (Calha do Madeira), Lábrea (calha do Purus), Eirunepé (calha do Juruá), Tabatinga (alto Solimões), Santa Isabel do Rio Negro (calha do Rio Negro) e Tefé (médio Solimões) – com subsecretarias e orçamentos específicos para cada região nas áreas de Educação; Saúde; Segurança; Agricultura e Extrativismo; Setor Fundiário; Habitação e Urbanismo; Transporte e Logística; Saneamento básico.

8. Implantar o plano de modernização de gestão administrativa, financeira e de planejamento, de forma a “moralizar” e resgatar a credibilidade do poder público estadual, estabelecendo como prioridade a política de “Pagamento em dia” no prazo máximo de 30 dias da execução dos serviços e obras fornecidas ao governo; no âmbito do funcionalismo público criar o Programa de Valorização do Servidor Público estadual, com ênfase na recuperação salarial, qualificação de atendimento, PCCS, Comitês de Gestão e concursos públicos, garantindo o chamamento imediato dos concursados para a substituição dos comissionados.

9. A conclusão da pavimentação da rede rodoviária estadual (AM´s) para a interligação entre os municípios interioranos; o balizamento das principais hidrovias e a homologação noturna de todos os aeroportos implantados nas cidades do interior.

10. Na segurança, implantar uma política de resgate ostensivo aos usuários de drogas, estabelecendo departamentos especializados de tratamento a dependentes químicos na rede pública de saúde, penitenciárias e centros de detenção; Criar programas de reinserção e qualificação de jovens em risco; re-aparelhamento e qualificação das forças de segurança; combate ostensivo e tolerância “ZERO” na corrupção policial; aparelhamento da Polícia Técnica e incrementar a infra-estrutura ao poder judiciário especialmente no interior do estado. Todos os programas sociais deverão estar integrados a política de segurança pública do estado.

11. Na Saúde, implantar o programa de atendimento de alta complexidade nos hospitais do interior, estabelecendo centrais de distribuição de medicamentos e centros especializados nos municípios pólos regionais, implantação dos navios hospitais e serviço de transporte médico fluvial nos municípios. Reorganização dos serviços hospitalares na Região Metropolitana com o aumento do número de leitos hospitalares e das UTIs;

12. A política de sustentabilidade ambiental deverá ser centrada no ser humano como o parte do meio-ambiente, de forma a preservar a sua dignidade, renda, desenvolvimento e qualidade de vida, garantindo o futuro do patrimônio florestal amazônico com o homem e a mulher vivendo em harmonia com a preservação. A educação é o principal caminho para que a sustentabilidade ambiental esteja consorciada com a necessidade de desenvolvimento econômico e social a que todo ser humano tem direito; acabar com a tirania e a perseguição contra aqueles que lutam apenas pela sobrevivência, substituindo pela consciência de preservação.

Se em um governo de quatro anos fossem implantadas, de forma séria, técnica e determinada, as propostas acima, em duas décadas nosso Amazonas seria uma potência social e econômica, referência em políticas públicas.

Um governo austero, com uma estimativa de arrecadação real em torno de 40 bilhões de reais em quatro anos, adotando modernas técnicas e conceitos gerenciais, é o suficiente para a transformação destes sonhos em realidade.

Ficam agora algumas perguntas: Boas propostas e projetos são suficientes para se ganhar uma eleição? Você votaria em um bom projeto? O candidato que você pretende ou tem a intenção de votar já apresentou suas propostas para o Amazonas? Se não, por que você vai votar nele? Será que novamente nós vamos repetir o comportamento de votar em quem tem mais chance de ganhar, no lugar daquele que tem melhores projetos e capacidade gerencial? Afinal, eleição é corrida de cavalo em que se aposta no que vai vencer?

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Eleições: A proporcionalidade eleitoral

31/03/2010

Este será um post bem didático, mas visa esclarecer uma dúvida comum sobre o processo eleitoral. Nessas minhas andanças pelo interior do Amazonas e em Manaus, a pergunta mais comum que ouço é: E aí? Como vai ser este ano na política? Quem ganha? Confesso que fico meio desconcertado para responder questões óbvias. A grande maioria das pessoas já deveria ter se acostumado com a resposta. Vai vencer as eleições em 2010 quem obtiver a maioria dos votos, inclusive das pessoas que perguntam quem vai vencer a eleição. Salvo, naturalmente, quando se tratar das eleições ditas “proporcionais”, que neste ano serão para definir os cargos de Deputado Estadual e Federal.

Como assim? Quer dizer que no caso de Deputados Estaduais e Federais não vence quem tem mais votos? Isto mesmo. Não! E pela “bilionésima” vez alguém vai explicar um pouco mais sobre o processo eleitoral no Brasil.

O Brasil tem um sistema democrático bastante curioso. O voto, que é obrigatório, é definido como “direito” do cidadão, um contra-senso porque tira a liberdade do cidadão de não votar se não quiser, tornando-se, portanto, “obrigação”. Assim como o sistema de proporcionalidade eleitoral no país também não é proporcional, ou seja, o tamanho da representatividade política de cada estado da federação, que teria que ser “proporcional” a população, também é uma utopia. Fato este que prejudica de sobremaneira o Amazonas que se vê com o “direito” de ter uma bancada mais representativa no Congresso Nacional e lamentavelmente tem seu poder “proporcional” castrado. Mas vamos ao que interessa.

Na prática, por que os mais votados não são necessariamente os eleitos? O que a maioria dos eleitores não costuma lembrar é que vivemos um sistema político calçado em Partidos. Os candidatos obrigatoriamente apresentam-se no processo eleitoral indicados por estes partidos. Ao cidadão eleitor cabe escolher o voto dentre os candidatos de cada partido, ou seja, votando no candidato X, você estará, na verdade, votando no partido Y.

O que definirá quem serão os eleitos serão os votos que o partido ou coligação receberá, para, depois de definida esta quantidade de votos, obter o número de vagas que cada partido ou coligações fará jus nos parlamentos Federal e Estadual.

E como se define o cálculo da votação necessária para que cada partido/coligação saiba a quantas vagas terá direito? Aí a resposta é simples. Dividindo-se o numero de votos válidos na eleição pelo numero de vagas em disputa nos parlamentos, no caso do Amazonas, serão 24 vagas para Deputado Estadual e 8 vagas para Deputado Federal.

Quando é que vamos saber disso então? Somente depois de apurado os votos na eleição é que, com precisão, serão definidas estas vagas, até lá, com base em estatísticas e usando muita matemática, ficaremos “estimando” os resultados.

Assim sendo, estima-se que em 2010 serão necessários aproximadamente 180 mil votos para que um partido ou coligação partidária eleja um Deputado Federal, 360 mil votos para se eleger dois e 540 mil votos para se eleger três Deputados Federais. Naturalmente que depois de atingida a votação necessária para cada vaga, deve se considerar as eventuais “sobras” para que sejam determinadas as vagas restantes.

Espero ter esclarecido essa dúvida que paira na cabeça de muitas pessoas que vêm conversar comigo.

Uma Boa Páscoa a todos vocês!

Ausência do Blog

29/03/2010

Quero sinceramente pedir desculpas aos leitores que acompanham este blog pela minha (longa) ausência, que tem provocado uma quebra na seqüência dos artigos aqui publicados.

Na verdade, nos últimos 45 dias, minha vida pessoal, profissional e política andou bastante conturbada. Primeiro passei por uma cirurgia de “retirada” da vesícula biliar que me forçou a uma parada temporária no “estaleiro”, depois estive ausente do país em viagem a negócios empresariais e, por último, combinando uma complicada agenda de visitas ao interior do Amazonas que praticamente inviabiliza o meu acesso a internet.

Para se ter uma ideia, hoje, 29 de março, retornei de um fim de semana bastante agitado. Estive no sábado (27) no Careiro da Várzea e no Careiro Castanho, no Domingo (28) fui de avião participar de um evento em Nhamundá e hoje pela manhã tomei café da manhã e participei de uma palestra em Parintins, cheguei a tempo para um almoço aqui em Manaus e só consegui sentar no meu escritório agora no final da tarde para escrever este texto apressado, de forma com que consiga passar algumas horas com minha mulher e filhos. Acabou? (risos) NÃO!

O Jorge Trajano acabou de sentar aqui e já está me passando a agenda de amanhã. Saio às 06:30 do Aeroporto “Eduardinho”, embarcando para Tefé. À tarde tenho um importante encontro em Alvarães e, em seguida, retorno para pernoitar em Tefé. Quarta sigo para Fonte Boa, na quinta já estarei em Coari, sexta em Codajás, no sábado em Anori e domingo encerro esta agenda em Beruri. Tentarei estar em casa no Domingo de Páscoa à noite para comer meu “Ovo de Páscoa”. Concluindo, encerrarei em apenas sete dias uma programação de visitas a onze municípios. Uma boa maratona.

Espero ter me justificado pela ausência de novos artigos. Como quem escreve cada um dos textos sou eu mesmo, já estou tentando me organizar para que mesmo fora de Manaus eu possa enviar meus textos para publicação neste blog.

Abraços a todos.

DEVER DE CASA: NOTA ZERO!

18/01/2010

Na semana passada estive em Brasília e, em uma das salas de espera, peguei para ler uma revista chamada “Os cabeças do Congresso Nacional – 2009”, pesquisa sobre os 100 parlamentares mais influentes, publicada anualmente pelo DIAP, uma das mais respeitadas instituições de assessoria parlamentar, que atua junto aos poderes da República, com vistas a suprir os movimentos sindicais sobre questões relacionadas as normas legais e reivindicações majoritárias e consensuais para os trabalhadores no Brasil.

Os princípios fundamentais em que se baseia o trabalho do DIAP são: decisões democráticas; atuação suprapartidária; conhecimento técnico; e atuação como instrumento da classe trabalhadora, patrocinando apenas as matérias consensuais no movimento sindical.

Nesse sentido, a publicação da “Os cabeças do Congresso Nacional”, que esta em sua 16ª edição, faz um mapeamento, a partir de critérios objetivos, dos Deputados e Senadores que conduzem o processo decisório no Poder Legislativo. Com essa finalidade, o instituto desenvolveu uma metodologia para identificar os 100 parlamentares com mais habilidades para elaborar, interpretar, debater ou dominar regras e normas do processo decisório, bem como para manipular recursos do poder, de tal modo que suas preferências ou do grupo que lideram prevaleçam no conflito político. Ou seja, uma espécie de ENEM para verificar a qualidade dos parlamentares. Estar nesta lista é “passar de ano” na avaliação de desempenho.

E parece que o Amazonas não anda muito bem nesta avaliação, a exemplo das péssimas avaliações na educação, saúde, saneamento básico, etc. Nossos parlamentares também não têm feito seu “dever de casa” e, conseqüentemente, não foram aprovados.

Por incrível que pareça, dos onze parlamentares federais que temos (3 Senadores e 8 Deputados Federais), somente um esta entre os “100 cabeças”, o Senador Arthur Virgilio Neto, diga-se de passagem, considerado o segundo mais influente do país. Por favor, não vale argumentar que são ‘estreantes’. Na lista do DIAP constam vários estreantes de todas as regiões do país. Se não está lá é porque não é bom. E pronto!

Como se pode ver, a grande maioria dos nossos parlamentares federais são Deputados e Senadores do “baixo clero” do Congresso Nacional e isto não é uma opinião minha. Ah, a minha opinião? Prefiro dizer que são parlamentares de “outdoor”. Isto eles sabem fazer muito bem. Divulgar as suas participações em assuntos insípidos e sem repercussão nacional. Mas não vou me ater a uma avaliação pessoal, quero na verdade apelar à inteligência analítica dos meus leitores.

Um Deputado Federal custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 94.000,00 por mês, entre salário, extraordinárias, verbas de gabinete, combustível, passagens aéreas, etc., ou seja, um mandato de quatro anos custará ao povo a bagatela de R$ 4.512.000. Discutir se ganham pouco ou muito é perda de tempo. O prejuízo causado ao Amazonas e ao Brasil por desempenhos pífios no Congresso Nacional é incomensuravelmente mais alto.

Outro dia, navegando no Twitter, li um comentário deplorável. Um destes parlamentares, que ganha mais de R$ 4,5 milhões por mandato, agendava com um grupo de “parceiros” uma sessão de “Kart Indoor”. Quem sabe se o “nobre” parlamentar fizesse melhor uso do seu tempo, como uma boa leitura, ou se dedicasse um pouco mais a estudar as questões da Amazônia e do Brasil, talvez conseguisse um melhor desempenho no Congresso Nacional? Ou seja, ao invés de fazer o “dever de casa”, fica brincando de carrinho! Merecia umas boas palmadas no bumbum… (risos!)

As promessas estão sendo cumpridas? (parte II)

09/01/2010

Alguns temas que abordo aqui neste blog acabam gerando uma grande polêmica. Geralmente quando minha opinião “contraria” os que pensam de modo diferente, o que ocorre com frequência, estes costumam recrudescer nas palavras e partem para acusações do tipo: “mentiroso”, “político igual aos outros”, “vendido”… Isto sem falar nas expressões “impublicáveis”. No Amazonas, lamentavelmente, cada vez mais se faz oposição de forma pessoal. Repito, longe, muito longe, de estar certo em todas as minhas posições ou opiniões, estas refletem exatamente o que penso e que, invariavelmente, pode e deve ser diferente do que o leitor pensa, caso contrário não existirá o debate.

A partir da primeira parte deste artigo, fiz uma análise crítica e pude observar que o radicalismo de opiniões ou idéias é um campo fértil para a mediocridade humana. Escrevi um artigo que, sobre a ótica de utilidade para a construção de uma sociedade melhor, gera uma reflexão profunda e positiva, sob o título: “Faroeste Caboclo – Sequelas do Progresso”. Coloquei em discussão em um só artigo temas de extrema relevância, como: drogas, juventude, prostituição infantil, geração de emprego no interior, etc. Sabe quantos acessos gerou? Pouco mais de 80. Apenas quatro comentaram o artigo e quase nenhuma polêmica que pudesse repercutir para uma melhoria do debate.

Resolvi então escrever sobre as promessas que foram ou não cumpridas pelo Amazonino e recebi uma avalanche de acessos (mais de 300!), ataques pessoais, comentários positivos e negativos. No twitter tem um “cidadão” que chegou a perguntar quanto eu havia recebido do Amazonino para defendê-lo, e ainda refletiu que “quase” votou em mim, em alguma eleição passada. Minhas opiniões não têm preço! Uma outra, “Denise”, tentou me desqualificar questionando o que eu faria “em plena segunda-feira” despachando no Tropical Business. Que absurdo, gente! Meu pai mora no Tropical Business e com muita freqüência vou lá. Não sou funcionário público. Sou empresário e dono dos meus negócios e do meu tempo, muito provavelmente ela um dia poderá cruzar comigo na Pizza Hut em plena terça-feira. Oh que absurdo! (risos)

Quando se publica artigos de fofocas políticas, disse-me-disse da vida dos outros, perseguição de A contra B, aí vira uma festa! Todos batem, agridem, argumentam e acabam sempre do mesmo jeito, com a mesma opinião de antes! Cada um segue “certo” para o seu lado.

Agora quando o assunto é sério, relevante, construtivo e depende de posições responsáveis, ninguém quer dar muita bola! Afinal, é muito sem graça esse negócio de “papo cabeça”. E olha que são exatamente estes que criticam a falta de consciência dos eleitores da Zona Leste, quando na verdade, eles são muito piores.

Por último, quero lembrar que quando escrevi um contraponto aos artigos publicados na imprensa local acerca das promessas que não foram cumpridas pelo Amazonino, em absoluto afirmei o contrário. Disse apenas que parte daquelas promessas de campanha estava sendo cumprida, e que, na minha ótica, decorridos apenas 25% do mandato dele, ainda é muito cedo para rotular como “descumpridor” o atual Prefeito de Manaus.

Claro que a opinião daqueles que foram derrotados nas urnas sempre será contrária, pessimista, insatisfeita e caótica, como bem defini na charge publicada na primeira parte deste artigo. Independente dos erros e acertos da atual gestão. Ainda bem que a maioria absoluta dos eleitores de Manaus, incluindo o apoio maciço da classe média, escolheu e consagrou um projeto diferente do proposto pelos socialistas que administraram a cidade por quatro anos. Incluo-me nesta maioria.

As promessas estão sendo cumpridas?

06/01/2010

Recentemente os jornais da cidade publicaram matérias que comentavam que a “maioria” das promessas feitas pelo Amazonino durante a campanha de 2008 não tinham ainda sido cumpridas. Acompanhei vários debates na internet e vi várias enquetes, feitas pelos mesmos jornais, que confirmavam junto a opinião popular este mesmo sentimento.

Pronto! Lá vou eu de novo manifestar uma opinião contrária e polêmica.

Um dos jornais chegou a enumerar as 20 principais promessas feitas durante a campanha, afirmando que apenas três delas foram cumpridas. Espera aí! Na minha conta foi um pouco mais.

As obras da passagem de nível da Av. Umberto Calderaro e do viaduto do Coroado estavam paradas. A primeira só tinha um projeto e a placa sinalizadora, e a segunda “embargada” com pendências no Ministério Público, etc. Quase gargalhei quando o Serafim afirmou que havia deixado o projeto pronto e o dinheiro na conta, ou seja, “a bola na marca do pênalti e sem goleiro”. Pô, Sarafa, isso não existe! Obra tem que pelo menos estar iniciada e em andamento. Projeto? Dinheiro em que conta? Da Camargo Correia? Para com isso, você teve quatro anos para fazer e não fez… Ele teve só um ano e fez! Ainda tem um twitteiro que diz que o piadista sou eu!

Assim sendo, acrescentemos mais uma promessa cumprida: a conclusão da passagem de nível da Av. Umberto Calderaro.

Agora, tem mais uma que vale a menção. E os buracos da cidade? Acabaram? Claro que não, mas diminuíram e muito, quanto a isto não resta a menor dúvida! Também pudera, quatro anos esburacando… Tinha buraco na Getulio Vargas, Djalma Batista, Constantino Nery, Noel Nutels, Max Teixeira… Do centro à Zona leste. A cidade vista do espaço, comentavam os mais bem humorados, concorria com a Lua. Hoje ainda tem muito estrago, não nego, principalmente os feitos pelas obras do gás e da água, mas melhorou em muito a situação e foi mais uma promessa cumprida.

Ou seja, na minha simplória conta, cinco das vinte principais promessas foram cumpridas, mais ou menos 25% do total, o que coincide com o tempo decorrido do seu mandato.

Agora eu gostaria de perguntar, quanto tempo ele tem para cumprir com o que prometeu? Qual é o tempo decorrido do seu mandato? Será que não é um pouco demais cobrar que sejam cumpridas TODAS as promessas feitas para um período de quatro anos em apenas 12 meses? Quer dizer que demora quatro anos para destruir uma cidade e querem que tudo se reerga em um ano?

Calma, a campanha de 2008 já acabou! Menos para os que perderam, claro!

PS: Um dia, com mais calma, ainda vou escrever sobre a inadimplência do INSS da Prefeitura, que a gestão passada transferiu para a atual e deixou Manaus sem condições de receber recursos do governo federal quase até o meio do ano. Uma irresponsabilidade sem tamanho ou uma bomba de efeito retardado para atrapalhar a nova administração?

Os donos da 'verdade'

DIÁLOGO SEM FIM…

04/12/2009

Charge do Sponholz

Este texto foi compilado dos anais do plenário da Câmara Municipal de Manaus, em discurso que proferi quando morreu o Senador Jefferson Peres. Lembro-me da reação emocionada de boa parte da platéia que ouviu atentamente as seguintes palavras. Subverti todas as regras de discurso para promover um monólogo batizado de “Diálogo sem fim“. Esta é uma reflexão que gostaria de deixar, principalmente às dúvidas que algumas pessoas manifestaram pela internet sobre política e políticos no Brasil. Peço paciência, pois no final deste longo post as coisas parecerão ter um pouco mais de sentido.

Como vai Jefferson, tudo bem? Estive pensando em fazer um discurso para homenageá-lo na Câmara, casa que abrilhantastes com sua passagem como vereador. Deixa… depois te conto minha idéia. Tenho te visto tão pouco ultimamente. Nosso último encontro foi no aeroporto quando, por coincidência, embarcávamos para Brasília no mesmo vôo. Cumprimentaste-me com teu olhar firme e satisfeito.

Aproveitei os minutos antes da chamada para embarque para engraxar meus sapatos. E o engraxate comentou que votou no senhor duas vezes para Senador e que tinha muito orgulho do voto que havia dado. Confesso que me senti orgulhoso por ti também! Mas, fiquei pensando, será que ele se lembra que a pouco mais de um ano o senhor disputou o cargo de Vice-Presidente da República? Eu não entendo até hoje porque os amazonenses não retribuíram com votos todo este orgulho que sentem por sua atuação.

Por que sorris Jefferson? Puxa vida, hoje deves estar cansado mesmo, nem quer se levantar… Ainda um dia desses estava relembrando a viagem que fizemos juntos para Humaitá. Visitamos o Batalhão do Exército, acompanhados pelo Lino Chíxaro. Toda aquela liturgia de oficiais e soldados perfilados prestando-lhe continência, e o Lino comenta, “toda esta formalidade é uma homenagem prestada a um Senador, um príncipe da República”. Depois, seguimos para um almoço com nosso correligionário do PDT, o advogado Terrinha, que comemorava seu aniversário. No retorno, sobrevoávamos a BR 319 e comentei que achava um erro investir no asfaltamento de uma rodovia construída sobre 600 km de uma várzea. E observamos juntos que era mais apropriado o Governo Federal aproveitar os “restos mortais” da rodovia para implantar uma ferrovia. Parece inclusive que o Eduardo Braga andou recentemente levantando esta idéia, que, aliás, foi colocada no programa de governo que defendi durante minha candidatura ao Governo do Estado em 2006. A exemplo das Escolas de Tempo Integral que juntos defendemos e, agora, o Eduardo, de forma ainda tímida, começa a implantar. Bem que tu me ensinaste, que “as idéias só são realmente boas, quando são maiores do que os homens que as tem…”

Mas, Jefferson, estás mesmo confortável? Não sei, nesta posição, deitado o tempo todo… A propósito, aquele projeto do Kassab, da poluição visual, que adaptamos juntos, está parado nas comissões da Câmara. Espero que antes do final do meu mandato nós consigamos aprovar. Bem que tu me disseste que ia dar uma polêmica imensa. Com paciência acho que vou conseguir. E Brasília? Que coisa desagradável! Uma bomba atrás da outra, uma insanidade coletiva entre os políticos está adiando as grandes reformas tão necessárias ao Brasil. Os debates estratégicos da reforma tributária e política vão acabar ficando para o período pós-eleitoral, perdemos mais um ano. Uma pena!

Senador. Permita-me fazer uma sugestão? O Congresso Nacional deveria discutir uma emenda constitucional que proibisse a reeleição no Brasil, em todos os níveis, não só para os cargos do executivo, mas também para o legislativo, de vereador a Senador. Tenho a impressão que isso acabaria com muitos vícios do nosso sistema democrático e estimularia a renovação permanente das casas legislativas. Isto acabaria fortalecendo a sua tese de “pragmatismo ético”. Esta é outra coisa que o pessoal confunde com defesa da moralidade.

Estás rindo de novo, mas é verdade! Muita gente acredita que moral e ética são princípios doutrinários ultrapassados, ou pior, usados como marketing “pessoal” de alguns políticos e, por conseqüência, soam como falso moralismo. Olha Jefferson, ainda me lembro da primeira conversa que tivemos após eu ter sido eleito Vereador. Você foi incisivo, ao me dar a minha primeira lição política: “Paulo, iludem-se os políticos que acham que o Brasil não está mudando. O povo cada dia mais começará a acompanhar a verdade. Portanto, o político moderno deve sempre falar a verdade, mesmo que isto lhe custe alguns dissabores. Em política você deve avaliar o momento certo de revelar algumas informações, opiniões ou idéias, e isto não significa omissão ou conivência, significa inteligência! Agora, uma vez decidido o uso da palavra, o que sair da tua boca tem de ser a verdade do seu pensamento. Assim você construirá a sua credibilidade. E por último, nunca perca a paciência, nunca, pois isso levará tempo para ser absorvido pela sociedade descrente dos políticos, estes conselhos são o que chamo de fundamentos da ética pragmática…”

Jefferson, sério mesmo. Esta tua posição nesta cama está me incomodando. Apesar de parecer que o senhor é fisicamente maior! Tem certeza que não preferes se levantar? Não queres continuar esta conversa no pátio da sua casa? Outra coisa que quero te falar, os assessores do meu gabinete ficaram impressionados com o senhor relendo, em pé, os “12 MANDAMENTOS DO BOM GOVERNANTE“, de sua autoria, que mantenho naquele enorme painel na recepção da minha sala. Eles ficaram orgulhosos de ver o autor olhando a obra e visitando nosso ambiente de trabalho.

Jefferson. Percebo que teus olhos estão fechados, estás pensando algo importante? Hoje, quero te poupar sobre minhas observações críticas em relação às bobagens que o Prefeito vem fazendo. Mas continua vivo na minha memória aquele artigo que publicastes na A Critica sob o título “Vou-me embora para Pasárgada” que inferes criticas elegantes a ele. Um puxão de orelha bem ao seu estilo. Aliás, quero que se lembres dos amigos, se lá estiver um dia!

Mas, que interessante esta tua cama. É de madeira, forrada e ornamentada com flores! Não durma Senador, ainda gostaria de te perguntar coisas importantes…

É acho que dormiu… Acho que vou ter que colher a tua assinatura de anuência para condecorá-lo com a medalha de ouro “Cidade de Manaus” em outra oportunidade.

Que sono pesado. Deve estar sonhando, passeando por Pasárgada…

Senhoras e Senhores Vereadores, servidoras e servidores desta casa, audiência aqui presente.

É comum ouvirmos por todo o país que a política brasileira está enxovalhada. Os políticos, salvo raríssimas exceções, decepcionam o seu povo… Pois é, o Senador Jefferson Peres era uma dessas exceções. Orgulho-me de ter compartilhado da sua convivência e orientação nestes últimos cinco anos, diga-se de passagem, justamente o período que estou na vida pública.

Justa é a homenagem que o país lhe presta! Só não posso concordar com alguns exageros, como as afirmações de que o Brasil perdeu e que a política já não será a mesma. Declarações de pura emoção, mas não necessariamente verdadeiras. Não senhoras e senhores, o Brasil na verdade ganhou com a vida e a dedicação de Jefferson Peres as causas nacionais. O Senado Federal pode até ter perdido um dos seus mais diletos e atuantes membros, mas em contrapartida, todos os homens e mulheres de bem deste país ganharam mais um herói.

Jefferson Carpinteiro Peres será, a partir de agora, nome de ruas, logradouros ou até praças. Será estudado e analisado por suas teses e comportamento, criticado por alguns e elogiado por muitos. Deixa a vida para tornar-se inspiração indo para um estágio superior.

Um legado de esperança para jovens políticos que, capitaneados por sua lembrança, acreditarão em um país melhor. Liderado por bons homens e mulheres que, no princípio da verdade e do que é certo, cuidarão de construir a cidade mítica de Bandeira. O Brasil dos nossos sonhos. Em algum lugar há de persistir a esperança que continuará batendo nos milhares de corações que em ti acreditaram.

Durma nosso pequeno grande homem, pois, só assim poderás viver nesta Pasárgada que almejamos também em nossos sonhos.

No aniversário de Manaus quem ganhou o presente fui eu

24/10/2009

Hoje Manaus completa 340 anos e, literalmente, esta cidade arrancou minhas lágrimas logo pela manhã.

Como todos os dias, iniciei meu sábado lendo os jornais. Quando abro o A Critica logo me chama a atenção a manchete principal em homenagem a cidade: “Construindo a metrópole perfeita”. Vou folheando e me surpreendo ao ver na coluna SOBE e DESCE:

SOBE – PAULO DE CARLI, EX-VEREADOR: PROJETO DE SUA AUTORIA, APRESENTADO A CMM, SUGERE A LIMPEZA VISUAL DA CIDADE.

Li e reli, era eu mesmo, pouco mais um ano depois de ter perdido a minha reeleição para Vereador de Manaus (apesar de ter obtido praticamente a mesma votação de 2004 quando me elegi!) e justamente no aniversário da cidade, estava eu recebendo uma “medalha” de reconhecimento da mídia por uma ação do meu mandato. Confesso, por alguns instantes senti-me orgulhoso e com a sensação de dever cumprido, não só por este projeto, mas por tantas conquistas que tenho certeza o tempo se encarregará de consolidar.

Logo volto a minha nova realidade, e sigo lendo uma série de matérias muito bem estruturadas de debate sobre problemas e soluções para nossa amada Manaus. Quando de repente, outra surpresa, em matéria de página inteira a chamada:

“PROJETO ESTABELECE LEI DA CIDADE LIMPA – CÂMARA MUNICIPAL: Proposta do ex-vereador Paulo De Carli põe fim a toda propaganda em outdoor, back e frontlight, fachadas e abre espaço para mobiliário urbano”

Aí não teve jeito, umas lágrimas rolaram; um aperto no coração; pensamentos e questionamentos embaralhados na minha mente… O que deu errado? Por que o eleitor não reconheceu um mandato inquestionavelmente bom, sem máculas. Entrei e saí da vida pública sem me envolver em “esquemas” ou escândalos, sem processos judiciais… Criei e aprovei projeto de emenda a LOMAN que introduz como política pública de educação as escolas de tempo integral no município, a tarifa “domingueira” nos ônibus, projeto que proíbe estacionamento em corredores viários (Djalma Batista, Constantino Nery, etc), a CPI das Águas, projeto que proíbe obras nos corredores viários da cidade em horário comercial e por aí vai… Ai que saudade do meu mestre Jefferson Peres…

Parabéns, Manaus! Continuo amando cada dia mais a minha cidade.