Archive for the ‘Emprego’ Category

Amazonas em 2011: Qual o desafio?

15/01/2010

É sempre bom refletir sobre o futuro. Todo mundo planeja e sonha com o que vai ou pretende fazer nos próximos anos. Alguns pretendem casar, outros adquirir casa própria, muitos trocar de carro, e os mais precavidos já planejam desde cedo sua própria aposentadoria (apesar de não ser uma preocupação da maioria).

Isto sem falar nos nossos sonhos de juventude. A universidade, a carreira, as viagens e os “amores”. O ser humano é interessante. Não perde a capacidade de imaginar para si sempre um futuro melhor, o que acaba provocando uma sensação agradável de felicidade, mesmo quando, no íntimo, a gente percebe o quão difícil é a realização desses sonhos!

E por que às vezes é tão difícil? Primeiramente porque somos inseguros quanto a nossa verdadeira capacidade de por em prática tudo o que almejamos. E em segundo, porque de fato a gente não planeja, além de que, ao menor sinal de dificuldade, costumamos mudar o foco dos nossos desejos e projetos.

Na administração pública ocorre mais ou menos a mesma coisa. É muito difícil para nós, cidadãos comuns, ficarmos imaginando o cenário do que pretendemos para o lugar em que vivemos. Na verdade sempre esperamos que algum “líder” o faça por nós. Sempre usamos a justificativa de que isso não é nossa responsabilidade.

Por exemplo: Você já está imaginando o que esperar para 2011 em termos de políticas públicas para combater a violência crescente no nosso estado? E como vamos gerar emprego para esta massa de jovens que estará se formando nas universidades nos próximo 3 ou 4 anos? E quanto a precária situação dos municípios do interior, como gerar trabalho e renda? Enfim, qual é o projeto do Amazonas? Qual é o seu projeto para ajudar a solução destas intricadas situações? Ou você acha que o estado não é você? Pretende se mudar para onde? São Paulo? Argentina? Marte, quem sabe…

No próximo ano já teremos elegido um novo governador. Uma nova gestão estará se iniciando. Vou agora, em um exercício de cenário futuro, perguntar: Qual é o DESAFIO para o Amazonas em 2011? Quais dos nossos “milhares” de problemas serão elencados como prioridade? Um bom primeiro passo para responder estas perguntas é começar a analisar, dentre as lideranças políticas, empresariais, estudantis e trabalhadoras, quem enfim está se dedicando a discutir e apresentar idéias e propostas coerentes para superar desafios. Quero aqui neste simples artigo, manifestar um pouco do que imagino, para ser pensado por aqueles que pretendem disputar algum cargo eletivo na próxima eleição.

Desafio de curto prazo: Como conter a violência que assusta e tira a dignidade de uma população acuada? Minha resposta: Reduzir a impunidade através de um pacto social local entre o povo e as instituições públicas (Executivo, Legislativo e Judiciário), aplicando a “tolerância zero” como princípio do combate ao crime em todas as suas formas.

Desafio de médio prazo: Como criar um programa agressivo de geração de renda e desenvolvimento para os jovens e para o interior do estado? Minha resposta: Vamos parar de ficar inventando “moda” e lutar imediatamente para estender os incentivos fiscais que hoje beneficiam somente a área de Manaus (Zona Franca) para todos os municípios do interior e perenizar (acabar com a limitação de tempo para o seu fim) nosso modelo de sustentação. Naturalmente, oferecendo ao resto do país a garantia de que, isso aprovado, estará se preservando a maior reserva florestal tropical e ambiental do planeta. Tenho certeza que contaremos com o apoio de toda a comunidade internacional preocupada com isso. Acho muito mais lógico do que simplesmente pagar esmolas de “Bolsa Floresta” e deixar o povo do interior contemplando uma natureza “intocada”, e condenado a não fazer mais nada da sua vida. Isto não é justo com as nossas cidades interioranas.

Desafio de longo prazo: Como criar um instrumento educacional de preparação e resgate dos jovens amazonenses para o futuro? Minha resposta: Não importa a qual custo financeiro, realizar uma revolução no ensino fundamental, médio, técnico e superior, adotando o princípio da educação em “tempo integral” para todos os níveis (exceto o superior), investindo pesado nos quadros de educadores e em infraestrutura. No caso do ensino superior estadual, fomentar as áreas de pesquisa e desenvolvimento, focando principalmente na formação do “ser humano integral”, fortalecimento do caráter, da moral, do senso crítico e das potencialidades humanas. Não dá mais para ficar nosso estado com notas vexatórias nas avaliações nacionais, a exemplo do ENEM.

Alguém aí está planejando o nosso Amazonas da próxima década?

Estas são algumas das discussões que deveriam estar pautando as nossas casas legislativas, Câmaras Municipais, Assembléia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado (nossa bancada). Se já estão, perdoem-me, deve ser algum problema de comunicação, porque daqui debaixo não estou vendo nada. Será apenas uma impressão?

(cont.) Necessária mudança de conceitos…

01/12/2009

Desculpem a demora, estive bastante ocupado e não pude dar continuidade ao texto anterior no domingo, conforme prometido.

Mas vamos lá! Nosso recém formado dentista está desempregado. Como não lhe resta uma opção de emprego imediata, tem o nosso jovem profissional que montar o seu próprio consultório, ou seja, sua própria EMPRESA. Será que a faculdade preparou este ‘ex-aluno’ para isto?

Passo a passo vai ser necessário o jovem fazer o seguinte:

1. Um estudo de mercado para identificar qual a melhor área da cidade para implantar seu consultório, levando em consideração: público-alvo, demanda do local pelos serviços, análise da concorrência e, finalmente, identificar os aspectos ligados ao licenciamento e legislação urbana na área que escolher;

2. Terá que contratar um profissional para elaborar um contrato social (será que ele sabe o que é um contrato social de uma sociedade de quotas de responsabilidade limitada?), providenciar a inscrição na Receita Federal (e um CNPJ serve para quê?), depois a Inscrição na SEMEF/PMM para pagamento de alvará e ISS (sabe este jovem o que é isto?), e finalmente as licenças relacionadas saúde pública (finalmente, alguma coisa que estudaram aparece na frente deles, pelo menos eu acho!);

3. Após esta burocracia “administrativa” o jovem terá que dispor de CAPITAL próprio ou de terceiros (financiamento) para garantir o investimento em equipamentos, obras de adequação e capital de giro. Ou talvez, resolva nosso dentista optar por um contrato de Leasing (arrendamento mercantil) para adquirir seus modernos equipamentos de trabalho, afinal, poderá deduzir assim uma parcela considerável do seu Imposto de Renda, obviamente, se não optar pela modalidade de declaração fiscal do Lucro Presumido ou até mesmo, quem sabe, se aplica as regras do SIMPLES/Nacional. Será que eu estou falando grego para muita gente? A faculdade de Odontologia não ensinou isto? Que absurdo! Continuemos nossa epopéia empreendedora…

4. Superado tudo isto, vem finalmente às questões comerciais e de Marketing. Qual o preço ideal a ser cobrado pelos serviços? Qual o sistema de gerenciamento cadastral que vai ser utilizado? Que tipo de software de Marketing de relacionamento deve ser adquirido? Que tipo de propaganda pode ser usada? E a logomarca? Quais as cores do material de comunicação visual?

Ou seja, caso você, jovem, recém formado ou não, não saiba responder 100% das questões que levantei, ou mesmo não tinha (agora tem) as informações BÁSICAS que acabei de passar… ESQUEÇA! Muito provavelmente se você montar o seu próprio negócio, grande será a chance de você contribuir para a gravíssima estatística brasileira que diz que 74% de todas as empresas abertas no Brasil fecham as portas ao final do primeiro ano de funcionamento.

E sabem por que isto acontece? Simplesmente porque as UNIVERSIDADES não preparam nossos jovens para EMPREENDER, ter o seu próprio negócio, substituir as velhas e antigas práticas profissionais ligadas as relações trabalhistas tradicionais, que dão sérios sintomas de exaustão (vide índices de desemprego entre os jovens). O mundo mudou, a economia se transforma todos os dias e as Universidades deveriam estar a frente destas mudanças, mas parecem, na maioria, castelos da “fantasia” acadêmica, que mais se preocupam em faturar uma grana dos seus alunos, do que prepará-los para o futuro do mercado de trabalho. Quanto às públicas? Estas pior ainda! Vivem de tentar enxertar conceitos de “ideologias” fora da realidade que acabam por promover nos futuros profissionais muito mais frustração do que sucesso. Ressalvada raras e honrosas exceções, claro.

Necessária mudança de conceitos…

28/11/2009

Tenho recebido solicitações de algumas pessoas para que eu me posicione sobre o gravíssimo problema de (falta de) emprego, especialmente entre os jovens que estão saindo das nossas universidades. Selecionei uma pergunta assertiva para responder e que representa, conceitualmente, a preocupação manifestada pela maioria.

A gente se forma, por exemplo, em jornalismo ou em odontologia, e tem uma dificuldade imensa de arranjar trabalho, afinal quantos jornais ou clínicas públicas e/ou privadas existem para dar conta dessa “massa” de profissionais que se forma por ano?

Somando somente estas duas áreas específicas, no próximo ano se formarão mais de 1.000 novos profissionais em Manaus. Tudo isso. Acredite! Tenho visto um montão de recém formados batendo cabeça por aí, fazendo bico ou trabalhando fora da área e, muitas vezes, se sujeitando a salários ridículos para garantir a sobrevivência.

Como disponibilizar emprego na mesma área de atuação para toda essa gente que está saindo da universidade? Calma! Não é o fim do mundo, pelo menos até 2012. Piadinha infâme, admito.

Em primeiro lugar a própria juventude tem que romper um paradigma que nos foi incutido ao longo de décadas. Nem sempre estar assalariado garante segurança profissional e pessoal. É preciso entender que a economia, assim como a informática, está em uma evolução que assusta qualquer especialista.

Há alguns meses atrás, as manchetes no mundo inteiro falavam na “Pior crise econômica da história”, a “quebra” da economia americana, o fim do “capitalismo moderno”… BALELA! Alguém por acaso tem ido aos shoppings da cidade? Lotados. E as concessionárias de carros?

Nós precisamos nos adequar, como jovens e profissionais, a esta nova realidade. O mundo está crescendo muito e aceleradamente. A evolução social, econômica e, principalmente, tecnológica está jogando todas as antigas teses e conceitos no passado da involução. As relações de trabalho, capital e a própria capacidade de geração de desenvolvimento está irremediavelmente ligada, nos tempos atuais, a uma palavrinha mágica, nesta nova ordem econômica mundial: EMPREENDEDORISMO.

O que é isto? Como assim? Isto vai pagar minhas contas?

Antes de continuar e responder estas sub-questões quero expor um “real case”: Um acadêmico de odontologia passa, no mínimo, 5 anos na universidade. Aprende anatomia, farmácia, biologia e todas as matérias específicas da área, complementadas por inúmeras aulas práticas. Enfim, vê tudo de extração, obturação, canal, aparelhos, oclusão e até mesmo aprendem sobre as normas e usos de equipamentos, etc… Dia da formatura, uma felicidade só! Dependendo da dedicação, talento e aptidão na área, o novo dentista sai realmente preparado para exercer sua nova profissão. Menos por um pequeno detalhe: Está desempregado, na maioria das vezes!

Como preparar o estudante para enfrentar esse problema? No próximo post porque agora estou atrasado. Até amanhã!