Archive for the ‘Cidade’ Category

A violência tem solução?

20/01/2010

Minha pergunta tão simples e complexa ao mesmo tempo. Desde que passamos, de alguma forma, a ser vítimas deste descontrole de segurança em que vivemos, começamos a divagar, pensando em como resolver o problema.

Alguns investem parte dos seus próprios recursos financiando sistemas eletrônicos, vigilância armada, segurança pessoal e até mesmo, a última moda em Manaus, blindar o carro ou portas e janelas de casa com vidros a prova de bala. Isso, obviamente, quando a pessoa é abastada, bem remunerada, pois tais soluções são realmente caras.

Outros, a exemplo dos comerciantes do centro de Manaus, resolvem fechar as portas do seu comércio como forma de “protesto” pelos roubos, furtos e assaltos promovidos por quadrilhas organizadas, que chegam a assaltar a mesma loja até três vezes… Pasmem! No mesmo dia.

E os cidadãos comuns, trabalhadores e donas de casa, jovens e idosos, moradores das periferias da cidade, vivem um quadro de horror! O povo é assaltado dentro dos ônibus, galeras dominam as passagens e becos nos bairros, o tráfico então nem se fala. Estes, na maioria, contam mesmo é com a sorte ou com a proteção Divina.

Nas cidades do interior do Amazonas, antes redutos de famílias e pessoas que sempre, com muita dificuldade, geravam e produziam a própria riqueza e consumo, hoje são reféns do uso desenfreado de bebidas e drogas pesadas que atingem em cheio uma juventude ociosa e sem perspectiva de progresso social e econômico. Famílias inteiras sendo destruídas! E se não fossem as igrejas a oferecer alguma sustentação moral e espiritual, a coisa já tinha degringolado de vez. Graças a Deus elas existem. Literalmente.

Nesta semana, conversando com alguns ilustres operadores do Direito, tive a informação de mais um dado estarrecedor. Um percentual significativo das prisões efetuadas pela nossa polícia, o são feitas de forma inconstitucional, portanto ilegais, acabando por contribuir para que a sociedade tenha a sensação de impunidade, alimentado por ditos populares do tipo: “não adianta prender que o bandido sempre acaba sendo solto”… Isto provoca mais insegurança ainda, vez que as pessoas ficam com medo de “ajudar” com informações o combate mais eficaz a criminalidade. E por que isto acontece? Onde é o problema? Na lei? Na justiça? Para os leigos em geral isto pouco importa, o que pensam é o óbvio: IMPUNIDADE.

Outros, um pouco mais românticos, argumentam que a raiz do problema é o sistema educacional público, com duas pitadas de deformação moral nas famílias, mais cinco colheres da nossa “cultura primitiva”, cozida em amargas ervas da péssima distribuição de renda histórica no Brasil. Pronto, o prato está servido, a “caldeirada” da violência está na mesa…

No próximo artigo prometo me aprofundar no tema impunidade. Agora vou descansar. Boa noite a todos.

Anúncios

Amazonas em 2011: Qual o desafio?

15/01/2010

É sempre bom refletir sobre o futuro. Todo mundo planeja e sonha com o que vai ou pretende fazer nos próximos anos. Alguns pretendem casar, outros adquirir casa própria, muitos trocar de carro, e os mais precavidos já planejam desde cedo sua própria aposentadoria (apesar de não ser uma preocupação da maioria).

Isto sem falar nos nossos sonhos de juventude. A universidade, a carreira, as viagens e os “amores”. O ser humano é interessante. Não perde a capacidade de imaginar para si sempre um futuro melhor, o que acaba provocando uma sensação agradável de felicidade, mesmo quando, no íntimo, a gente percebe o quão difícil é a realização desses sonhos!

E por que às vezes é tão difícil? Primeiramente porque somos inseguros quanto a nossa verdadeira capacidade de por em prática tudo o que almejamos. E em segundo, porque de fato a gente não planeja, além de que, ao menor sinal de dificuldade, costumamos mudar o foco dos nossos desejos e projetos.

Na administração pública ocorre mais ou menos a mesma coisa. É muito difícil para nós, cidadãos comuns, ficarmos imaginando o cenário do que pretendemos para o lugar em que vivemos. Na verdade sempre esperamos que algum “líder” o faça por nós. Sempre usamos a justificativa de que isso não é nossa responsabilidade.

Por exemplo: Você já está imaginando o que esperar para 2011 em termos de políticas públicas para combater a violência crescente no nosso estado? E como vamos gerar emprego para esta massa de jovens que estará se formando nas universidades nos próximo 3 ou 4 anos? E quanto a precária situação dos municípios do interior, como gerar trabalho e renda? Enfim, qual é o projeto do Amazonas? Qual é o seu projeto para ajudar a solução destas intricadas situações? Ou você acha que o estado não é você? Pretende se mudar para onde? São Paulo? Argentina? Marte, quem sabe…

No próximo ano já teremos elegido um novo governador. Uma nova gestão estará se iniciando. Vou agora, em um exercício de cenário futuro, perguntar: Qual é o DESAFIO para o Amazonas em 2011? Quais dos nossos “milhares” de problemas serão elencados como prioridade? Um bom primeiro passo para responder estas perguntas é começar a analisar, dentre as lideranças políticas, empresariais, estudantis e trabalhadoras, quem enfim está se dedicando a discutir e apresentar idéias e propostas coerentes para superar desafios. Quero aqui neste simples artigo, manifestar um pouco do que imagino, para ser pensado por aqueles que pretendem disputar algum cargo eletivo na próxima eleição.

Desafio de curto prazo: Como conter a violência que assusta e tira a dignidade de uma população acuada? Minha resposta: Reduzir a impunidade através de um pacto social local entre o povo e as instituições públicas (Executivo, Legislativo e Judiciário), aplicando a “tolerância zero” como princípio do combate ao crime em todas as suas formas.

Desafio de médio prazo: Como criar um programa agressivo de geração de renda e desenvolvimento para os jovens e para o interior do estado? Minha resposta: Vamos parar de ficar inventando “moda” e lutar imediatamente para estender os incentivos fiscais que hoje beneficiam somente a área de Manaus (Zona Franca) para todos os municípios do interior e perenizar (acabar com a limitação de tempo para o seu fim) nosso modelo de sustentação. Naturalmente, oferecendo ao resto do país a garantia de que, isso aprovado, estará se preservando a maior reserva florestal tropical e ambiental do planeta. Tenho certeza que contaremos com o apoio de toda a comunidade internacional preocupada com isso. Acho muito mais lógico do que simplesmente pagar esmolas de “Bolsa Floresta” e deixar o povo do interior contemplando uma natureza “intocada”, e condenado a não fazer mais nada da sua vida. Isto não é justo com as nossas cidades interioranas.

Desafio de longo prazo: Como criar um instrumento educacional de preparação e resgate dos jovens amazonenses para o futuro? Minha resposta: Não importa a qual custo financeiro, realizar uma revolução no ensino fundamental, médio, técnico e superior, adotando o princípio da educação em “tempo integral” para todos os níveis (exceto o superior), investindo pesado nos quadros de educadores e em infraestrutura. No caso do ensino superior estadual, fomentar as áreas de pesquisa e desenvolvimento, focando principalmente na formação do “ser humano integral”, fortalecimento do caráter, da moral, do senso crítico e das potencialidades humanas. Não dá mais para ficar nosso estado com notas vexatórias nas avaliações nacionais, a exemplo do ENEM.

Alguém aí está planejando o nosso Amazonas da próxima década?

Estas são algumas das discussões que deveriam estar pautando as nossas casas legislativas, Câmaras Municipais, Assembléia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado (nossa bancada). Se já estão, perdoem-me, deve ser algum problema de comunicação, porque daqui debaixo não estou vendo nada. Será apenas uma impressão?

As promessas estão sendo cumpridas? (parte II)

09/01/2010

Alguns temas que abordo aqui neste blog acabam gerando uma grande polêmica. Geralmente quando minha opinião “contraria” os que pensam de modo diferente, o que ocorre com frequência, estes costumam recrudescer nas palavras e partem para acusações do tipo: “mentiroso”, “político igual aos outros”, “vendido”… Isto sem falar nas expressões “impublicáveis”. No Amazonas, lamentavelmente, cada vez mais se faz oposição de forma pessoal. Repito, longe, muito longe, de estar certo em todas as minhas posições ou opiniões, estas refletem exatamente o que penso e que, invariavelmente, pode e deve ser diferente do que o leitor pensa, caso contrário não existirá o debate.

A partir da primeira parte deste artigo, fiz uma análise crítica e pude observar que o radicalismo de opiniões ou idéias é um campo fértil para a mediocridade humana. Escrevi um artigo que, sobre a ótica de utilidade para a construção de uma sociedade melhor, gera uma reflexão profunda e positiva, sob o título: “Faroeste Caboclo – Sequelas do Progresso”. Coloquei em discussão em um só artigo temas de extrema relevância, como: drogas, juventude, prostituição infantil, geração de emprego no interior, etc. Sabe quantos acessos gerou? Pouco mais de 80. Apenas quatro comentaram o artigo e quase nenhuma polêmica que pudesse repercutir para uma melhoria do debate.

Resolvi então escrever sobre as promessas que foram ou não cumpridas pelo Amazonino e recebi uma avalanche de acessos (mais de 300!), ataques pessoais, comentários positivos e negativos. No twitter tem um “cidadão” que chegou a perguntar quanto eu havia recebido do Amazonino para defendê-lo, e ainda refletiu que “quase” votou em mim, em alguma eleição passada. Minhas opiniões não têm preço! Uma outra, “Denise”, tentou me desqualificar questionando o que eu faria “em plena segunda-feira” despachando no Tropical Business. Que absurdo, gente! Meu pai mora no Tropical Business e com muita freqüência vou lá. Não sou funcionário público. Sou empresário e dono dos meus negócios e do meu tempo, muito provavelmente ela um dia poderá cruzar comigo na Pizza Hut em plena terça-feira. Oh que absurdo! (risos)

Quando se publica artigos de fofocas políticas, disse-me-disse da vida dos outros, perseguição de A contra B, aí vira uma festa! Todos batem, agridem, argumentam e acabam sempre do mesmo jeito, com a mesma opinião de antes! Cada um segue “certo” para o seu lado.

Agora quando o assunto é sério, relevante, construtivo e depende de posições responsáveis, ninguém quer dar muita bola! Afinal, é muito sem graça esse negócio de “papo cabeça”. E olha que são exatamente estes que criticam a falta de consciência dos eleitores da Zona Leste, quando na verdade, eles são muito piores.

Por último, quero lembrar que quando escrevi um contraponto aos artigos publicados na imprensa local acerca das promessas que não foram cumpridas pelo Amazonino, em absoluto afirmei o contrário. Disse apenas que parte daquelas promessas de campanha estava sendo cumprida, e que, na minha ótica, decorridos apenas 25% do mandato dele, ainda é muito cedo para rotular como “descumpridor” o atual Prefeito de Manaus.

Claro que a opinião daqueles que foram derrotados nas urnas sempre será contrária, pessimista, insatisfeita e caótica, como bem defini na charge publicada na primeira parte deste artigo. Independente dos erros e acertos da atual gestão. Ainda bem que a maioria absoluta dos eleitores de Manaus, incluindo o apoio maciço da classe média, escolheu e consagrou um projeto diferente do proposto pelos socialistas que administraram a cidade por quatro anos. Incluo-me nesta maioria.

As promessas estão sendo cumpridas?

06/01/2010

Recentemente os jornais da cidade publicaram matérias que comentavam que a “maioria” das promessas feitas pelo Amazonino durante a campanha de 2008 não tinham ainda sido cumpridas. Acompanhei vários debates na internet e vi várias enquetes, feitas pelos mesmos jornais, que confirmavam junto a opinião popular este mesmo sentimento.

Pronto! Lá vou eu de novo manifestar uma opinião contrária e polêmica.

Um dos jornais chegou a enumerar as 20 principais promessas feitas durante a campanha, afirmando que apenas três delas foram cumpridas. Espera aí! Na minha conta foi um pouco mais.

As obras da passagem de nível da Av. Umberto Calderaro e do viaduto do Coroado estavam paradas. A primeira só tinha um projeto e a placa sinalizadora, e a segunda “embargada” com pendências no Ministério Público, etc. Quase gargalhei quando o Serafim afirmou que havia deixado o projeto pronto e o dinheiro na conta, ou seja, “a bola na marca do pênalti e sem goleiro”. Pô, Sarafa, isso não existe! Obra tem que pelo menos estar iniciada e em andamento. Projeto? Dinheiro em que conta? Da Camargo Correia? Para com isso, você teve quatro anos para fazer e não fez… Ele teve só um ano e fez! Ainda tem um twitteiro que diz que o piadista sou eu!

Assim sendo, acrescentemos mais uma promessa cumprida: a conclusão da passagem de nível da Av. Umberto Calderaro.

Agora, tem mais uma que vale a menção. E os buracos da cidade? Acabaram? Claro que não, mas diminuíram e muito, quanto a isto não resta a menor dúvida! Também pudera, quatro anos esburacando… Tinha buraco na Getulio Vargas, Djalma Batista, Constantino Nery, Noel Nutels, Max Teixeira… Do centro à Zona leste. A cidade vista do espaço, comentavam os mais bem humorados, concorria com a Lua. Hoje ainda tem muito estrago, não nego, principalmente os feitos pelas obras do gás e da água, mas melhorou em muito a situação e foi mais uma promessa cumprida.

Ou seja, na minha simplória conta, cinco das vinte principais promessas foram cumpridas, mais ou menos 25% do total, o que coincide com o tempo decorrido do seu mandato.

Agora eu gostaria de perguntar, quanto tempo ele tem para cumprir com o que prometeu? Qual é o tempo decorrido do seu mandato? Será que não é um pouco demais cobrar que sejam cumpridas TODAS as promessas feitas para um período de quatro anos em apenas 12 meses? Quer dizer que demora quatro anos para destruir uma cidade e querem que tudo se reerga em um ano?

Calma, a campanha de 2008 já acabou! Menos para os que perderam, claro!

PS: Um dia, com mais calma, ainda vou escrever sobre a inadimplência do INSS da Prefeitura, que a gestão passada transferiu para a atual e deixou Manaus sem condições de receber recursos do governo federal quase até o meio do ano. Uma irresponsabilidade sem tamanho ou uma bomba de efeito retardado para atrapalhar a nova administração?

Os donos da 'verdade'

COPA 2014: só uma observação.

03/01/2010

A partir de alguns comentários e observações feitas nas perguntas que me foram encaminhadas via Formspring.me, decidi voltar ao tema COPA 2014 em Manaus.

Um dos leitores comentou: “(…) Já não basta financiarmos os estádios e o sistema viário?“, referindo-se ao ônus imposto a população pela criação da Taxa de Lixo.

A resposta eu já escrevi anteriormente aqui neste blog. O povo da cidade de Manaus e do Amazonas é quem vai pagar a conta de quase R$ 6 BILHÕES, estimados para serem investidos pelo direito de sediar a Copa 2014.

E foi exatamente por isso, por termos demonstrado uma imensa capacidade de renúncia em investir em educação, saúde, saneamento básico e outras prioridades, para investir neste “mega-evento internacional”, é que nossa cidade foi escolhida.

Entendo que a grande maioria do povo é favorável a realização dos quatro ou seis jogos a que teremos direito, como cidade-sede, mesmo “cientes” de que todos estes investimentos sairão dos cofres públicos do Amazonas e de Manaus.

Os investimentos no sistema viário (metrô de superfície e o novo sistema de ônibus) serão financiados pelo Governo Federal, mas terão um dia que ser pagos.

Um moderno sistema de coleta, destinação e tratamento de lixo, sustentável sobre o prisma ambiental e muito mais moderno que o atual, deverá ser implantado na cidade. A que custo? A polêmica Taxa do Lixo é uma destas formas de arrecadação de recursos. E olha, se uma parcela significativa desta cidade já é contra, imaginem então quando começar a chegar a “fatura” da FIFA em relação a renúncia fiscal, novos controles de segurança, infra-estrutura hoteleira… De onde será que vai vir o dinheiro?

Ainda bem que, nesse caso, oposição e situação são favoráveis a realização da COPA 2014. O Serafim teve um papel decisivo ao assinar a inscrição de Manaus na concorrência para o direito de sediar. O Eduardo teve a responsabilidade de capitanear o processo de “convencimento” dos técnicos da FIFA. Ainda lembro-me da Vanessa e do Eron no palanque “emocionados” com a festa por ocasião do anúncio oficial. Até o Arthur que era oposição radical ao Governo do Estado entendeu como uma grande conquista. E ao Amazonino sobrou a responsabilidade “insalubre” de preparar a cidade.

Bom! Definido que todos são a favor de que Manaus seja sub-sede da Copa 2014, mãos à obra!

Vamos começar a pensar em como arrumar o dinheiro para esta aventura, quais serão os benefícios de médio e longo prazo que poderão advir deste evento. Melhor utilização dos resíduos da cidade? Aeroporto novo? Outro estádio? Novos hotéis? Novo sistema de transporte coletivo? Não esqueçam: junto com tudo isso vem a conta!

Quem vai pagar a conta levanta a mão!

Ainda sobre a Taxa do Lixo: Opinião Respeitada?

02/01/2010

Confesso que fiquei bastante entretido observando como uma opinião divergente pode provocar tanta polêmica e discussão. Este blog, ainda em fase inicial, nunca foi tão visitado, criticado, polemizado e etc., e em apenas alguns dias superou a marca de 3.000 acessos.

Independente da polêmica visão que defendi, sendo favorável a implantação da referida taxa em Manaus, assustou-me um pouco o radicalismo e agressividade com que algumas pessoas passaram a me criticar. Pelo amor de Deus, gente! Será que o fato de alguém ter uma opinião diferente da que você pensa é motivo suficiente para tanta “violência verbal”? Convenhamos, isto não é nem um pouco democrático. Em qualquer sociedade moderna, o contraponto e a divergência de pensamentos e opiniões são salutares e ajudam a criar soluções.

Resolvi escrever um post em resposta a uma série de indagações que me foram feitas, pois como havia me comprometido, toda as vezes que perguntas encaminhadas via Formsping.me, reincidentes e coincidentes, merecessem uma resposta mais aprofundada, escreveria um artigo com minha opinião. Longe, muito longe, de querer que vocês concordem com estas opiniões, valem, estes singelos textos, como a expressão de um pensamento que invariavelmente pode estar errado.

Mas vamos ao que interessa:

Uma pergunta (anônima) contesta a informação que publiquei relacionada à arrecadação tributária (Receitas Próprias) do município de Manaus, descrevendo ainda que a fonte que lhe parecia mais confiável seria o site Impostômetro, que indica que a cidade não arrecada os pouco mais de R$ 375 milhões que afirmei em minha resposta, e sim mais de R$ 2 bilhões de reais. Só neste ano!

Realmente não me estranha que tanta gente acabe sendo induzida a criticar e se posicionar contra a taxa de lixo, no entanto a informação do perguntador é errada! Voce não pode confundir ORÇAMENTO com Receita Tributária, aliás esta é justamente a estratégia propagada por aqueles que simplesmente querem incendiar, “politizando” um assunto tão sério para a cidade. Basta qualquer cidadão acessar o site da Prefeitura Municipal no link Transparência e clicar no item RECEITAS – Novembro, que poderá ter acesso aos dados oficiais de arrecadação tributária de Manaus. Para os que não querem se dar ao trabalho, adianto. O valor acumulado, neste ano, de impostos e taxas são os seguintes:

IPTU – R$ 52.841.106,89
ITBI – R$ 17.618.021,98
ISSQN – R$ 263.037.470,48
IRRF – R$ 41.720.448,36
TOTAL DA ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS = R$ 375.217.047,71
(+) TAXAS DIVERSAS ARRECADADAS = R$ 29.504.322,72

Espero ter esclarecido os leitores quanto a REAL arrecadação tributária própria de Manaus (até novembro de 2009).

Pergunto: Alguém sabe dizer quanto a cidade gastou só com a folha de pagamento dos efetivos e com as empresas que fazem a coleta de lixo?

Despesas com Pessoal (EFETIVOS) = R$ 550.037.680,73
Estimada Despesa com Coleta de Lixo = R$ 94.000.000,00

Ou seja, a cidade não deve, e não pode, demitir os funcionários públicos efetivos da Prefeitura. Além de ilegal, seria extremamente injusto tanto com o funcionalismo quanto para com o cidadão que sentiria mais ainda a baixa qualidade dos serviços públicos, desta feita pela falta de pessoal.

As despesas com a coleta de lixo, bem como a destinação e tratamento, devem sofrer uma melhoria substancial para podermos cumprir com a nossa obrigação em relação à COPA 2014, elevando mais ainda os atuais gastos. Como fazer se a cidade tem uma arrecadação tributária própria que não dá nem para pagar a sua folha de pessoal efetivo e se as despesas com o lixo (atuais) são maiores que toda a arrecadação de IPTU e ITBI juntos?

É preciso buscar sim o melhor equilíbrio fiscal para a cidade, insisto, pois quem ganha é o cidadão!

Agora, para aqueles que contestam a Taxa de Lixo porque entendem que os impostos e a arrecadação são mal utilizados pelo poder público, por favor, FISCALIZEM o uso e a aplicação do dinheiro, mas não me venham dizer que os impostos e taxas não são necessários. Contestem os administradores, não os instrumentos de sobrevivência da própria sociedade organizada em uma cidade.

PS: Passadas as festas de final de ano, retorno agora com mais textos. Pelo menos uma atualização diária.

Feliz 2010 para todos!

Cidade: Quem são os donos?

25/12/2009

Interrompo a série de “perguntas e respostas” que eu vinha publicando para escrever sobre a grande polêmica deste final de ano, a criação da Taxa de Lixo.

Antes de tudo é bom lembrar que esta taxa, independente de questões políticas, já existe no Brasil desde a época que Lamartine Barros era sucesso nas famosas “ondas tropicais”, lembram? Confesso que eu não! Mas minha avó sempre relembrava. A diferença é que se chamava TLP (Taxa de Limpeza Pública) e vinha cobrada junto com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Agora, sem querer me imiscuir nos aspectos jurídicos de legalidade ou não, é sempre útil e responsável analisar o assunto sobre o ângulo da oportunidade e necessidade, assim sendo, uma primeira pergunta:

Quanto a cidade (Prefeitura Municipal) está gastando com o serviço de coleta e destinação do lixo? De onde vêm estes recursos?

A resposta é fácil. Aproximadamente R$ 60 milhões por ano (R$ 94 milhões, de acordo com o Vereador Marcelo Ramos) e os recursos são retirados do orçamento próprio do município, alimentados pelas diversas receitas que o compõe.

Aí vão perguntar: Então por que criar uma nova taxa? Simplesmente pelo fato de Manaus não conseguir, na mesma medida em que sua população explode em crescimento, sustentar-se com os recursos que atualmente subsidiam os serviços públicos na cidade.

Quero fazer agora uma analogia. Imagine que você seja sócio de uma empresa, digamos uma grande loja de departamentos, e esta empresa que fatura uns R$ 10 milhões por ano em vendas, chega ao final do ano com um prejuízo de R$ 1 milhão. Você, juntamente com mais nove sócios em partes iguais (10% de cada um), recebe a comunicação dos contadores avisando que terá que “cobrir” o prejuízo com R$ 100 mil reais ou arcar com o ônus do encerramento das atividades da loja. Aí, revoltado, você vai dizer que não vai pagar porque a dívida não é sua, mas sim, da empresa que você é dono? Claro que não, você até mesmo por força legal, terá que assumir sua responsabilidade de sócio.

Poderíamos, até para ficar mais social esta analogia, substituir neste exemplo a empresa por um condomínio de apartamentos que, ao final do ano, necessite cobrir um desequilíbrio financeiro justamente nas despesas de limpeza e lixo do prédio. E daria no mesmo!

A cidade é exatamente isso. Um grande “condomínio” com cerca de 2 milhões de moradores e a conta desta despesa é nossa. Sempre. Porque também somos nós os beneficiados com a melhoria de qualidade de vida. Ou prejudicados quando há uma redução desta mesma qualidade.

Então por que tanta polêmica? Também é simples responder. Ninguém gosta de pagar impostos, taxas e contribuições. Sempre achamos que estamos sendo roubados, que o dinheiro é mal utilizado e vai por aí… Na verdade, nós queremos mesmo é que o dinheiro fique em nossas mãos para podermos dar um destino mais “justo” como, por exemplo, fazer uma viagem ou trocar o carro. A cidade (o coletivo) que se exploda! “Farinha pouca, meu pirão primeiro!”, visão retrógrada e individualista.

Aí vem um bando de “politiqueiros” de plantão que, fomentados pelo sentimento egoísta do individual sobre o coletivo (uma característica sociológica nossa), ganham as primeiras páginas, esquecendo-se do mal que estão fazendo a Manaus. A cidade precisa se reorganizar para a Copa de 2014 e o sistema de coleta e tratamento dos resíduos da cidade tem que melhorar muito, inclusive sobre o prisma ambiental. A limpeza de Manaus tem que ser uma referência para o mundo que nos observará em 2014.

E a pergunta final: Quem tem que pagar a conta desta melhoria? A resposta não pode ser mais óbvia. Nós, os beneficiados!

Portanto, fica aqui uma opinião, que sei que contraria o que muitos estão propagando por aí, especialmente aqueles que tiveram a oportunidade de fazer e faltou-lhes a coragem e competência necessárias.