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Bolsa Família no Brasil: uma visão diferente

12/01/2010

Esta semana, em uma discussão acirrada com alguns amigos, um deles levantou a questão da bolsa família no Brasil e lembrou que isto parecia muito mais um instrumento de sustentação eleitoral do “projeto PT” do que uma política pública de inclusão social.

Confesso que também tinha uma visão parecida, até que uma pessoa que respeito muito fez a seguinte observação: “Paulo, você já analisou que se esses 40 milhões de brasileiros não recebessem esta bolsa, simplesmente elas não teriam o que comer?… Eram pessoas que viviam e provavelmente ainda vivem em uma linha de pobreza absoluta. Miséria e fome mesmo!

Concordei e comecei a fazer alguns cálculos. Esta classe, que simbolizava a miséria do Brasil, simplesmente não participava da base de consumo brasileira. Marginalizados e esquecidos pelo poder público por anos a fio, formavam um mundo a parte do que se pretendia em termos de construção de uma nação desenvolvida, um povo para que não foi dada a oportunidade de educação, saúde básica e irremediavelmente fadado a uma cruel sobrevivência.

Com o Bolsa Família, aproximadamente 40 milhões de brasileiros começaram a ter acesso a uma quantia mínima mensal para comprar alguns itens da cesta básica, como arroz, óleo, um pouco de proteína… Suficientes para eliminar a fome. E o que significou isto em termos econômicos? Por incrível que pareça isto não só significou muito, como acabou inserindo uma quantidade imensa de brasileiros em um novo tipo de mercado. Um mercado próprio que sobrevive fornecendo produtos básicos e que movimenta valores aproximados de R$38 bilhões por ano, ou seja, quase U$20 bilhões, o equivalente ao PIB de muitas nações pequenas. E sabe onde estava este dinheiro? Concentrado na renda de alguns brasileiros e, o pior, em projetos públicos de pouquíssima relevância social.

Portanto, independente da questão política associada a isto, o Bolsa Família, mais do que qualquer outro programa social já realizado no Brasil, não só permitiu a redução substancial da fome, como possibilitou um significativo avanço econômico para o país, ao incluir em um novo tipo de “mercado” 40 milhões de brasileiros.

Para as crianças da próxima geração, agora minimamente alimentadas, quem sabe poderemos oferecer uma educação básica de qualidade, permitindo que daqui 20 ou 30 anos esta nova classe social brasileira possa ser um mercado mais robusto e qualificado, tornando o Brasil uma nação verdadeiramente mais desenvolvida. Gostem os críticos do governo Lula ou não, o primeiro passo foi dado! O próximo, que é a universalização de uma educação crítica e de qualidade, é o próximo grande salto deste país.
Estou concluindo este artigo olhando pela janela do avião que se prepara para pousar em Brasília e pensando em como é bom ter uma visão daqui de cima. Tanto ainda por se fazer… Mas continuo sonhando.

Abraços a todos aí em Manaus.