A violência tem solução?

Minha pergunta tão simples e complexa ao mesmo tempo. Desde que passamos, de alguma forma, a ser vítimas deste descontrole de segurança em que vivemos, começamos a divagar, pensando em como resolver o problema.

Alguns investem parte dos seus próprios recursos financiando sistemas eletrônicos, vigilância armada, segurança pessoal e até mesmo, a última moda em Manaus, blindar o carro ou portas e janelas de casa com vidros a prova de bala. Isso, obviamente, quando a pessoa é abastada, bem remunerada, pois tais soluções são realmente caras.

Outros, a exemplo dos comerciantes do centro de Manaus, resolvem fechar as portas do seu comércio como forma de “protesto” pelos roubos, furtos e assaltos promovidos por quadrilhas organizadas, que chegam a assaltar a mesma loja até três vezes… Pasmem! No mesmo dia.

E os cidadãos comuns, trabalhadores e donas de casa, jovens e idosos, moradores das periferias da cidade, vivem um quadro de horror! O povo é assaltado dentro dos ônibus, galeras dominam as passagens e becos nos bairros, o tráfico então nem se fala. Estes, na maioria, contam mesmo é com a sorte ou com a proteção Divina.

Nas cidades do interior do Amazonas, antes redutos de famílias e pessoas que sempre, com muita dificuldade, geravam e produziam a própria riqueza e consumo, hoje são reféns do uso desenfreado de bebidas e drogas pesadas que atingem em cheio uma juventude ociosa e sem perspectiva de progresso social e econômico. Famílias inteiras sendo destruídas! E se não fossem as igrejas a oferecer alguma sustentação moral e espiritual, a coisa já tinha degringolado de vez. Graças a Deus elas existem. Literalmente.

Nesta semana, conversando com alguns ilustres operadores do Direito, tive a informação de mais um dado estarrecedor. Um percentual significativo das prisões efetuadas pela nossa polícia, o são feitas de forma inconstitucional, portanto ilegais, acabando por contribuir para que a sociedade tenha a sensação de impunidade, alimentado por ditos populares do tipo: “não adianta prender que o bandido sempre acaba sendo solto”… Isto provoca mais insegurança ainda, vez que as pessoas ficam com medo de “ajudar” com informações o combate mais eficaz a criminalidade. E por que isto acontece? Onde é o problema? Na lei? Na justiça? Para os leigos em geral isto pouco importa, o que pensam é o óbvio: IMPUNIDADE.

Outros, um pouco mais românticos, argumentam que a raiz do problema é o sistema educacional público, com duas pitadas de deformação moral nas famílias, mais cinco colheres da nossa “cultura primitiva”, cozida em amargas ervas da péssima distribuição de renda histórica no Brasil. Pronto, o prato está servido, a “caldeirada” da violência está na mesa…

No próximo artigo prometo me aprofundar no tema impunidade. Agora vou descansar. Boa noite a todos.

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14 Respostas to “A violência tem solução?”

  1. Marnice Lopes Says:

    Boa noite!

    A violencia cresce a cada dia e em qualquer parte da cidade, do meu ponto de vista as familias precisam ser sensibilizadas e conscientizadas sobre a questão.Família é a base da sociedade, para que tenhamos uma sociedade consciente de seus direitos e deveres é preciso trabalhar a base que são as famílias. Podemos aplicar a metodologia de gestão de pessoas para se obter uma base familiar sólida através de Projetos e Programas voltado para FAMILIA assim teremos uma sociedade melhor, é um processo longo e trabalhoso, mas nao vejo outra soluçao.
    Marnice Lopes

  2. CANDIDO HONORIO Says:

    A segurança pública é dever do Estado, contudo, é responsabilidade de todos. Infere-se dessa assertiva que cada cidadão é um ator nesse processo. A violência decorre não só da ausência de políticas públicas eficientes, e acordes com a Lei, adotadas pelo Estado, mas principalmente do autoritarismo e do arbítrio utilizados por ele (Estado) a pretexto de combate-la. Como exemplo, passo a relatar um fato ocorrido recentemente, quando eu e dois de meus filhos retornávamos de um banho de igarapé, trafegando pela BR 174. Na altura do Km 1 havia uma blitz e um dos muitos policiais militares, fortemente armados me sorteou para entrar no funil. Imediatamente o mesmo policial pediu que eu desligasse o motor. Obedeci. Em seguida mandou que eu descesse pois o veiculo seria revistado. Perguntei pela ordem judicial de busca pessoal, e o mesmo, diante de minha reação, chamou o Cabo que parecia estar no comando da operação, e por sorte era meu conhecido e informou ao subalterno que eu era promotor de justiça, quando fui liberado do constrangimento, não sem antes, voluntariamente, mostrar a eles a ilegalidade daquele procedimento policial, começando pelo fato de ali ser uma rodovia federal, cabendo portanto a Polícia Rodoviária Federal a sua fiscalização; recitei o art. 146 do Código Penal, que diz: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena – detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Enfim, fiz ver a eles que embora estivessem cumprindo ordens, essas eram ilegais, portanto não deveriam ser obedecidas, mas eu compreendia que a responsabilidade por aquele crime contra a liberdade individual não lhes pode ser atribuída, mas ao sistema de insegurança provocado pelo Estado, que a pretexto de combater o crime e a violência, age criminosamente. Quanto a frustrada tentativa de revistar meu carro sem ordem judicial, esclareci que esse procedimento atenta contra a dignidade do cidadão e a rigor traduz-se em prova obtida por meio fraudulento, sendo inválida em juízo. De fato, se a polícia “encontrar” arma ou droga numa dessas revistas, sempre restará dúvida se a polícia plantou ou se já estava lá.
    Na verdade o meu discurso já estava atrapalhando a blitz e os policiais davam sinais disso, ansiosos por me verem seguir caminho.

  3. Jane Says:

    Olha Paulo, essa resposta o mundo todo está atrás!!! em especial onde há guerras.
    Com certeza a sua abordagem tem fundamento, afinal como já escrevi num comentário em outro texto seu, a família começa este papel árduo de criar e educar, a sociedade de moldar e cobrar, e o cidadão de escolher seu caminho, afinal ele é quem decide o que quer ser na verdade, apesar das influências externas.
    Mas culpar a lei e a justiça já não é tão eficaz. Pois se punições severas realmente funcionassem para coibir atos violentos, onde há pena de morte não haveria crimes e no entanto não é isso que vemos nos país que possui este tipo de legislação.
    E veja nossas prisões. Verdadeiros depósitos humanos e universidade do crime. Lá o infrator entra aalfabeto e sai doutorado na marginalidade, pois não me diga que quem fica 24 h numa cela superlotada com outros infratores conversando só o que se vai fazer quando sair, quem vai pegar para se vingar, possa sair de lá um cidadão de bem, honesto e correto pronto para o mercado de trabalho que nem o quer.
    Então vc pode perguntar se o certo seriam prisões produtivas?
    Sim, com certeza, afinal “Cabeça vazia, oficina do diabo” produzindo e trabalhando seria mais fácil recuperá-los e inseri-los novamente na sociedade, por que hoje os presos não voltam para o mercado de trabalho por uma razão muito óbvia, o sistema prisional não permite que este cidadão se recupere.
    Perceba que eu vi o problema de cima para baixo. Já que não consertamos a familia, poderemos tentar recuperar quem se perdeu no crime.
    Difícl? Utopia? nem tanto assim, digamos que mais palpável.
    E o que se vê na justiça e em nas prisões existentes é a mera falta de informação dos soldados da PM, coitados, eles não têm culpa, recebem ordens e levam o seu trabalho no senso comum da coisa cotidiana, já que PM levou o estigma de ser brutalizado e preparado para abordar somente marginais, o que não é verdade.
    As atitudes que vc vê, fechar comércios, bares, colocar grades, blindar carros e outras coisas mais, é só o reflexo do que a violência faz na vida das pessoas.
    A igreja quando surgiu trouxe a misericórdia que apazigou o ímpeto violento do ser humano, afinal isto não acontece de uma hora para outra, o homem é um ser social, mas que aprende aos poucos a se socializar. Porém a igreja trouxe a ignorância e vendou os olhos de muitos para as coisas mais óbvias da vida. Quando ela se mostra contra o controle da natalidade está claramente concorrendo para o aumento da violência, depois fica buscando para catequizar e domesticar os filhos que ela própria criou.

  4. Henrique Barreto Says:

    A Marnice diz que as famílias devem ser conscientizadas e sensibilizadas sobre o crescimento da violência. Eu concordo, mas isso já é feito pela mídia – vide a charge título do artigo; aliás, antes de nos conscientizarmos e sensibilizarmos sobre a violência que se mostra como uma pedra no longo caminho do homem, devemos ter a sensibilidade de mostrar a nossas crianças que não se deve jogar uma lata de refrigerante vazia pela janela do carro, ou mesmo furar uma fila. Ética e educação são passos fundamentais para aquele que anda numa Belina 1971 ou num Pajero 2009.
    E isso se encaixa perfeitamente no que Honório nos diz, que todo cidadão é um ator nesse processo. Entretanto, o autoritarismo do Estado é uma faca de dois gumes, pois será que o carro do outro pode ser revistado em nome da minha segurança, e o meu não? Refiro-me às violências físicas e morais cometidas, por exemplo, contra estrangeiros nos EUA, em nome do combate ao “terror”. Eu, se fosse norte-americano, concordaria com isso? E se eu viajasse para a China, por exemplo e sofresse coação física e moral em nome da segurança nacional? De que forma pensaria? Aliás, há um filme que trata sobre o assunto, mas não recordo o nome.
    Jane, concordo com você em quase tudo, mas penso que uma solução para a violência se revelaria na total e completa reformulação do código penal. Torná-lo mais severo. Seria um primeiro passo. A pena de morte, por exemplo, mesmo que não diminuísse a criminalidade, isso não seria motivo para sua não-aplicação, pois, o objetivo principal da pena é fazer justiça, e, secundariamente, diminuir índices. Foi Napoleão que disse que querendo punir pouco, há de punir exemplarmente. Em Paris, entre 1749 e 1789 – durante quarenta anos – foram cometidos, segundo um autor de História francês, dois homicídios apenas. Dois, em quarenta anos. É claro que a moralidade era outra. Não havia nem TV, nem a corrupção atual, e os padres pregavam então a moral católica. Mesmo assim o índice é impressionante.
    E não podemos falar em falta de informação por parte dos PM`s. Todo policial militar passa por um curso de formação. É a corruptibilidade do sistema instituído que leva o militar para o lado sombrio da Força. É como vemos em Tropa de Elite, a corrupção já faz parte da cultura da polícia.
    Concordo com o que a Jane fala sobre a Igreja. Sobre o controle de natalidade, eu posso jurar que ela leu “Freakonomics”, best-seller do The New York Times, quando o autor mostra categoricamente como os índices de violência em Nova York estavam baixos em determinado período devido à legalização do aborto no município vinte anos antes. Para entender melhor tem-se de ler o livro.
    A violência na sociedade moderna é fruto da própria modernidade, pois, assim como Cronos que devorou os próprios filhos, o capitalismo devora o completo bem estar social, pois é construído sobre desigualdades.

  5. José Pessôa de A. Filho Says:

    Diferenças entre as classes socias já induzem situação de conflito. Falta de acesso a saúde, estudo e saneamento básico, mais essa falta de oportunidade, coloca as pessoas em rota de colisão. Se eu não tenho eu vou querer o teu porque a sobrivivência é o que se busca. Pode até existir o criminoso nato como afirmou o Lombroso, mas certamente a falta de oportunidade não deixa escolha para aquele que quer existir. Aí temos assaltos. Mas há o colarinho branco, esse sim provoca uma desgraça em cadeia quando teria o dever de lutar pela igualdade social, trata-se dos políticos mesmo. O certo é que não há uma fórmula para explicar a violência e a criminalidade. São diversos fatores que se emaranham e se atrapalham, como no crime organizado dentro do aparelho estatual, todos mancomunados desorganizadamente organizados, grampeados e flagrados com dinheiro que não dá nem para carregar. É isso aí, pelo menos alguem tá tentando entender. Bom artigo Paulo. É Bom saber que alguem se preocupa. Grande Abraço.

  6. Jane Says:

    Pôxa Paulo, lamento dizer mas os comentários superaram o texto!!! sem desmerecer sua obra, mas veja quantas abordagens diferentes em relacão ao mesmo tema e como as opiniões no final passam pelos mesmos lugares, família, código penal, oportunidades, igreja e por aí vai, pra você ver que não tem tanto romantismo assim.

    Henrique eu não li este livro (ainda), mas tenho reservas enormes com a Igreja seja lá qual for, até quando eu frequentava já tinha minhas restrições, agora me libertei.

    E quanto ao Código Penal, acho que não concluí meu raciocinio, fiz o comentário muito rápido e nem voltei para ler depois. Mas sou a favor sim de que seja reformulado, apenas afirmo que também não será a solução, será digamos uma das formas de diminuir o problema, mas não solucioná-los . Mas reformular inclui muitos interesses, reformas presidiárias, legislação e uma série de coisas que vc sabe onde vai dar. Claro que na época de Napoleão a coisa era bem diferente, e ele foi um cara de visão, mesmo na guerra foi ele que percebeu que deveria ter uma forma de socorrer seus soldados, ele plantou a sementinha do pré-hospitalar e muitos nem sabem disso.

    Saudável discutir estas coisas, em vez de ficar culpando a, b ou c , todos sabemos que a solução é multifocal, mas que demanda muito esforço de todos, até o sistema de saúde favorece a violência, por que tenho certeza se o galeroso saísse de casa sabendo que quando aprontasse e se machucasse tivesse que pagar por isso de alguma forma, em dinheiro ou em serviços, duvido se ele aprontaria!!
    Mas a lei diz:”
    ‘Saúde é direito de todos e dever do Estado” nem precisa dizer muita coisa, a não ser que vc leia o restante do artigo e comece a pensar sobre isso.

    • Paulo De' Carli Says:

      Cara Jane,
      Não lamente, na verdade eu só tenho é que me orgulhar de estar levantando temas e discussões que provoquem um debate sadio e construtivo, ainda mais, quando feito por leitores de qualidade e inteligência.
      Estamos produzindo opiniões que com certeza acrescentam para a sociedade, talvez, ao poucos este espaço democratico se torne um gerador de opiniões, especialmente, feitas por voces.
      Por favor, me veja apenas como uma espécie de moderador que contribui com temas de relevância. O resto é com a sociedade.
      Abraços,

      • ramos Says:

        como faço para entra em contato com vc amigo paulo de carli
        podemos trabalhar junto nessa eleição de 2010

  7. Ronin, o samurai sem mestre Says:

    Engraçado, quando o tema é um problema social não aparecem anônimos, justiceiros e afins para debater e discutir de forma inteligente e salutar a questão…Agora é só cutucar os “queridinhos” deles que eles vêm esbravejando, jogando pedra e quebrando tudo…Talvez pq o tema seja justamente a violência e é isso que eles são: violentos.

    Então jamais eles poderiam discutir este tema.

  8. Jane Says:

    Sim, com certeza este é o seu papel, afinal quem escreve para a rede mundial quer ler a opinião dos seus seguidores, só achei interessante como este assunto se destacou dentre todos os outros textos seus, chamou a atenção e curiosamente ninguém dessa vez se preocupou pelo seu tempo dispensado escrevendo num blog (rsrs), continue escrevendo que alguém vai dispensar um tempo lendo também, alguém que sabe a importância de ler, escrever e opinar.

  9. Tio Adão Says:

    Paulo. Ainda está faltando o e-mail. É simples: Abaixo do nome o seu e-mail… paulodcarli@tudo.com.br( exemplo)

  10. geri di dante Says:

    Olá, de”Carli, gostaria de dar uma sugestão: a imagem pode ser sequenciada com um “não” – com a imagem de uma escola… qual tal?

  11. rodh mila eduarda bezerra Says:

    para mim a violencia tinha que ter um ponto final
    pq muitas pessoas sofrem com isso teria que acaba logo de vez com isso.

  12. vanda Says:

    Vanda
    é de enteresse de alguém que a violência cresça e permaneça….. do contrário já teriam feito a intervenção no ponto certo. Exemplo são as drogas que está matando, destruindo…… pessoas, familias, adultos, adolescentes e tantos outros. já imaginou se o dinheiro que é gasto consertando o estrago provocado pelas drogas, fosse investido a proibir coibir a produção/fabricação de dorgas? a economia seria estontiante…. e o resulatado então? se a droga deixa de existir, então não existirão mais usuários….

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