1a. Pergunta: Por que uma pessoa “normal” entra em política?

Juro que não estou tergiversando a pergunta, apenas me definindo como um cara normal. Para melhor contextualizar a resposta é necessário primeiramente contar sobre minha vida pré-política.

Aos 18 anos entrei na Universidade de Brasília (UNB) para o curso de Administração. Na ocasião, o “chefe” do nosso Departamento de Economia e Administração era o polêmico Prof. Cristovam Buarque, a quem devo, sem dúvida, a minha primeira inspiração política. Logo Cristovam Buarque assumiu a Reitoria da UNB e, alguns anos mais tarde, tornou-se Governador do Distrito Federal pelo PT. Ainda quando Reitor, antes de se tornar político, Cristovam foi o responsável por me inscrever em um processo seletivo conduzido pelas Fundações Thomas Jefferson e Rockfeller para a concessão de 10 bolsas de estudos integrais (todos os custos + salário) para jovens que estivessem cursando Administração ou Economia no Brasil. Consegui me qualificar e fui morar nos Estados Unidos, onde concluí minha formação na Universidade Northwood de Michigam, prolongando meus estudos até o MBA.

Morei nos Estados Unidos por quase oito anos, trabalhei em companhias de grande porte e achava que não mais voltaria para o Brasil. Vida tranqüila, excelente renda, enfim, qualidade de vida de primeiro mundo. Meus filhos estudavam em escolas de tempo integral, minha casa, com um conforto muito acima da média, foi comprada a juros de 2,25% ao ano, um sistema de saúde bastante evoluído e finais de semana com as crianças na Disney.

Até que, de repente, passou a dar uma vontade de seguir o coração “brasileiro” que dentro da gente bate descompassado, e comecei intuitivamente a provocar que meus negócios se redirecionassem para o Brasil, especificamente, para a minha origem de infância e adolescência, Manaus!

Voltei para o Amazonas e estabeleci empresas próprias e participações em indústrias no Distrito, construção civil, empresa prestadora de serviços e tecnologia.

Passei a comparar (nunca deveria ter feito isso!) os padrões sociais e econômicos entre países de primeiro mundo e o nosso. Um abismo que me dava frio na barriga e ao mesmo tempo INDIGNAÇÃO. Meu primeiro impulso, na tentativa de mostrar o quão grande e necessário é reduzir este abismo, foi tornar-me dirigente e ativo participante de entidades de classe empresariais. Fui Vice-Presidente nacional da BRASILCRUISE e membro do Conselho Superior da AFICAM – Associação das Indústrias e Empresas do Pólo Industrial de Manaus. Proferi palestras em São Paulo, Salvador e Brasília, em entidades de representação e universidades, sempre levando uma mensagem que finalizava na necessidade de se rever o modelo de gestão aplicado nos poderes públicos e que acabavam por “destruir” e atrasar o desenvolvimento social brasileiro. Não defendia o modelo “liberal” de mercado como solução. Apesar de empresário, achava que a economia brasileira era “selvagem” demais e o poder público corrupto e ineficiente. Será que eu tinha razão?

Ato contínuo das minhas atividades acima, surge a idéia de fundar o IADC – Instituto Amazonense de Defesa da Cidadania, junto com lideranças do movimento estudantil, sindicatos de trabalhadores e patronais, e diversos colaboradores voluntários. Iniciamos vários fóruns para discutir e elaborar um Plano de Desenvolvimento Estratégico para a cidade de Manaus. Áreas como urbanismo, transporte coletivo, educação, saneamento básico e outros aspectos da nossa cidade eram discutidos tentando, na medida do possível, envolver as pessoas dos bairros de periferia. Imagina só a nossa dificuldade! Enquanto eu chegava com esta história de “planejamento”, os políticos locais distribuíam sopas, refeições, ranchos e muitos prendiam “bandidos” em programas de televisão. Não preciso dizer o resultado!

Já em 2003, em um encontro com o Paulinho da Força Sindical em São Paulo, fui apresentado ao ex-governador e ex-candidato a presidência, e na época uma lenda viva da política brasileira, Leonel Brizola , Presidente Nacional do PDT. Confesso que fiquei encantado. Almoçamos só nós três. Brizola já com 80 anos, me deu uma aula de esperança e brasilidade. Fiquei impressionado com sua exposição sobre as Escolas de Tempo integral. Aí fui ao delírio. Filiei-me ao PDT de Brizola (que veio pela primeira vez pernoitar em Manaus para a minha filiação!), de Jefferson Peres, Darcy Ribeiro e do meu dileto mestre Cristovam Buarque.

Logo no ano seguinte, 2004, disputei a eleição para vereador em Manaus e me elegi com quase 5.000 votos. Fui líder do PDT na CMM, Vice-Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Presidente da Comissão de Economia, Finanças e Orçamento e da Comissão de Implementação e Acompanhamento das Leis. Logo em 2006, tornei-me, indicado em convenção do PDT, o primeiro e único candidato a Governador do Amazonas do partido e fui o mais jovem candidato que disputou aquela eleição no nosso estado.

Acabo de sintetizar minha história. A história de como uma pessoa normal entra para a política. Agora a resposta de “Por que?”. Todos os dias minha mulher faz a mesma pergunta. “Será que é correto você ficar sacrificando sua vida familiar, profissional e empresarial para continuar nisso?”. Eu respondo sempre com meu silêncio! E penso: Enquanto eu não perder a capacidade de me indignar e acreditar que eu possa fazer as coisas diferentes do que são… Sim! Vale à pena!

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6 Respostas to “1a. Pergunta: Por que uma pessoa “normal” entra em política?”

  1. George Lins Says:

    Paulo, este é o espírito.
    Enquanto existirem pessoas que não só pensam, mais buscam realizar o que é certo e bom como vc, posso continuar a ter fé em dias melhores.

    Um abraço

    George

  2. almir Says:

    Meu caro, acho o senhor uma pessoa normal, apenas com uma filosofia diferente de fazer politica para o coletivo, pensando sempre no todo e nao na parte. Contudo, acredite que o futuro reserva dias magnificos para que faz dos sonhos realidades e os seus com certeza serao reais.
    Um abraço

    Almir

  3. Luiz Jr Says:

    Eu já me iludi e desiludi várias vezes com a política, mas no geral continuo apaixonado por ela. Acho fascinante os lados em que quem critica, nunca parece querer tomar o lugar e fazer diferente, e se o fizer, tornou-se mais um entre os demais bandidos.

    Parabéns pelo texto, achei excelente, apesar do pré-conceito relacionado ao fato de parecer mais um político de elite, achei uma boa surpresa a sua campanha para o Governo, com uma ideia ousada de falar sobre os vícios a serem combatidos (Preços sempre inflacionados para o governo, etc).

    O Brasil é bem jovem em termos de democracia ainda, talvez nos EUA eles, que já possuem quarenta e tantos presidentes, devem ter uma experiência mais viva de uma sensação minha: Na política sempre há alguns que nos fazem descrer e desanimar, mas aí aparece um ou outro que nos enche de vontade, resgata nossos sonhos e nos faz dar mais uma chance para a democracia.

  4. Adm. Marcos André Says:

    Paulo, nao o conheço pessoalmente, mas tenho admiração pelo seu ponto de vista e a maneira como você conduz a politica. Nós precisamos de pessoas preparadas com visao holistica até pq vc é um administrador. Diferente dessa turma de politicos que existe que só pensam em politica partidaria de perseguir e tudo mais de ruim para uma administração, pensando em interesses próprios esquecendo do coletivo. Sou de Manacapuru e pode contar comigo aqui.

  5. Tácius Fernandes Says:

    “Quem não gosta de política é governado por quem gosta” Mao Tse Tung.

    O Mundo tá do jeito que tá porque a grande parte dos seres humanos são indivudulistas.Creio que a maioria das pessoas que entram na Política (eleitoral) veem isso apenas como um trampolim de ganhar dinheiro fácil e rápido, e outros quase raros INDIGNADOS com os problemas que a sociedade passa. Espero que esse sentimento de INDIGNAÇÃO continue cada vez mais forte, pois se chegarmos ao comodismo eles (os que dão ranchos,sopas, os que tem programas de tv assistencialista temporario, os que tripudiam do sofrimento do povo) continuaram fazendo uma pessima política e aumentando esse abismo que vc citou; e fazendo a população ter cada vez mais asco da política.

  6. samuel Says:

    Ola nobre vereador
    Meu comentário é referente ás promessa do prefeito, estar sedo cumprida?
    Eu como muito trabalhei na campanha eleitoral, sem cobra um centavo confiante em melhoria, na hora que precisamos, todos virarão as costas, e as promessas do prefeito em geral não estar sem executada, esta fazendo tudo contrario a última é a taxa lixo que diga de passagem o Sr voto a favor do prefeito, ou estou enganado vereador que não viu a propagada eleitoral do prefeito.

    um forte abraço. samuel

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