Copa 2014 em Manaus. E agora? (parte II)

Vamos imaginar, hipoteticamente, que na Copa do Mundo de 2014 caiba a Manaus, como cidade-sede, receber as seleções da França, Croácia, México e Camarões. Isto significa que cerca de 80 mil turistas vindos destas nações estarão nos visitando durante 10 dias, ou seja, muita gente tentando se comunicar conosco em francês, espanhol e croata.

Primeiramente, vale ressaltar, que a grande maioria das pessoas destes países consegue se expressar razoavelmente em inglês. Que sorte, hein!

Suponhamos agora que um curioso casal de croatas resolve ir a um restaurante de comida típica amazonense, ávidos para conhecer algumas de nossas deliciosas especialidades, e chegam ao Açaí, localizado na Rua Acre. Isso depois de se comunicarem através de mímica com o Sr. Marcelino, um experiente taxista, que garante uma proveitosa viagem.

No restaurante, escolhem a mesa e, com um inglês puxado e bastante limitado, pedem o cardápio. Numa lista de pratos totalmente descritos em português, o casal tenta traduzir a palavra SARAPATEL. Chamam o garçom, que não sabe uma palavra de inglês (muito menos de croata), e esforçadamente tentam descobrir o que é um sarapatel de tartaruga. Já imaginaram a tortura?

Ao final, depois de muito sacrifício, eles ainda ficam sem saber quanto vale o prato que pediram, pois os preços do cardápio estão em Real, moeda tão exótica quanto é o Kuna (moeda da Croácia) para nós brasileiros. Porém nossos persistentes turistas utilizam a calculadora do celular para fazer contas de conversão, pelo menos entre o Real e o Dólar. Que indigestão!

Na próxima vez é melhor ir ao Mc Donald’s e pedir um Big Mac, que tem o mesmo nome e pronúncia no mundo inteiro.

Isto tudo vale para perguntar: nossos taxistas estão preparados para se comunicar minimamente com seus futuros clientes, pelo menos em inglês? E nossos garçons? Nossos restaurantes estão fornecendo pelo menos um cardápio em inglês/português? E os preços estão convertidos em uma moeda mais universalizada? Qual programa governamental de apoio aos proprietários dos estabelecimentos de Manaus para qualificar a mão-de-obra foi ou está sendo discutido com as entidades de classe empresariais e dos trabalhadores? E a polícia está preparada para atender emergências em outros idiomas? Quantos postos de informações turísticas funcionam em Manaus? Temos mapas atualizados, que possam servir de referência, para a utilização do sistema de transporte coletivo?

Como se pode ver, para receber turistas, sediar eventos de grande envergadura internacional, enfim, para ser cidade-sede da Copa do Mundo, precisa-se muito mais do que um belo estádio de R$400 milhões.

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